Tuesday, April 10, 2007

:: Diário de Bordo - Parte 5 ::



:: Próxima paragem: Alfama ... Finalmente! ::

E começa então a nossa viagem em busca das casas de fado tradicional pelos arredores de Lisboa. A experiência poderia ter sido melhor. O porquê? Mais uma vez os habitantes de Lisboa não nos sabiam indicar correctamente o caminho. Quer dizer chegamos até a pensar é que se estariam a divertir com a nossa cara por sermos do norte. Mas como é possível ter sido um grupo de turistas ingleses a nos indicarem onde se situavam as casas de fado aquando o desconhecimento dos próprios habitantes? É das situações mais caricatas e inexplicáveis. A meio do caminho para Alfama e depois das indicações dos ingleses encontramos também uma rapariga lisboeta que foi muito prestavél e a única que nos deu indicações correctas. Nas nossas caras estavam estampados sorrisos quando vimos as placas que indicavam as casas do fado. Finalmente no caminho certo. Pelas ruas de Alfama era casa de fado atrás de casa de fado. Apenas um pequeno problema. Eram todas demasiado elitistas. Para se poder assistir ao fado no interior tinha-se obrigatoriamente de jantar primeiro. Chegamos até a ouvir a resposta mais rídicula possível. “É só para jantar…mas está cheio”. Parecia que a nossa sorte escassava. Nenhuma das casas de fado pela qual passavamos nos cedia entrada. Não desistindo da nossa busca continuamos incessantemente a andar até chegarmos a um largo. No cimo desse largo estava um senhor de fato de seu nome Vasco Tristão. Para além de fadista, este também estava na entrada a receber as pessoas que partilhavam a sua paixão. Sentamo-nos nas cadeiras de plástico branco da esplanada e perguntamos se aquela hora iriamos ter a oportunidade de usufruir de um fado vadio. Ana Cardoso, dona do establecimento e também fadista respondeu afirmativamente, que fado haveria sempre apenas não havia comida só bebida. Fomos abençoados pela presença de quatro fadistas nessa noite acompanhados por dois guitarristas de seu nome Manuel Vidinhas e Manuel Tomé. A simpatia e disponibilidade de todos os fadista era contagiante. Assistimos então a um primeiro fado


“Só nós dois é que sabemos, quando sabemos que queremos bem, só nós dois e mais ninguém”

“Os amantes infelizes deveriam ter coragem para mudar o caminho”

“Não queres gostar de mim a não ser que eu te peça”

E no fim fomos agraçados pelo fado de Ana Cardoso. Do qual adquirimos o seu cd e pedimos no final que o autografasse assim como os guitarristas que prestaram o seu papel. Algo que nos deixou com muita boa impressão foi a convivência que existia entre os fadistas. No entanto, durante a interpretação de Ana Cardoso, foi possivél entrevistar Vasco Tristão, que gentilmente colaborou de todas as formas possivéis. Esta entrevista de formal nada teve, até porque existia um à vontade intenso entre nós e os fadistas da noite. Exposemos os nossos pensamentos e sentimentos acerca do fado tradicional, do fado vadio assim como também questionamos a diferença existente entre o fado vadio e a nova vertente de fado. O ambiente que nos rodeava era extremamente pacifico e relaxante. Penso que não existem palavras suficientes para descrever a nossa experiência. Algo em comum entre nós era sentirmos de uma forma crua os nossos sentimentos à flor da pele. Após umas boas horas de fado, de convivência com os fadistas estava na hora de fechar o estabelecimento. Como forma de agradecimento até ajudamos a arrumar a esplanada. Lá nos despedimos de todos e seguimos rumo até ao Bairro Alto porque para nós a noite ainda era uma criança. O nosso objectivo estava cumprido e também esta era a nossa última noite em Lisboa e tinhamos de a terminar em grande. A caminho do Bairro Alto conhecemos dois alemães : Patrick e Jorg que acabaram por nos acompanhar a noite toda e eles também conheciam um pouco de fado, tinham Mariza como referência. Ainda encontrarmos a rapariga que inicialmente nos indicou o caminho para as casas de fado que se sentiu realizada por saber que tinhamos atingido o nosso objectivo. Não poderiamos nos sentir mais realizadas. O nosso projecto tinha chegado ao fim.

:: Agradecimentos a todos os fadistas que despensaram tempo e colaboraram para a realização do nosso projecto, em especial Ana Cardoso e Vasco Tristão. Também agradecimentos à única lisboeta que nos deu indicações e ao Patrick e Jorg por nos terem acompanhado noite a dentro ::

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